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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Crítica elege melhores filmes brasileiros de todos os tempos



Dezoito críticos da revista Paisà e dos sites Cinética, Contracampo, Almanaque Virtual e Cinequanon se reuniram para reavaliar o cânone do cinema nacional. Votaram e chegaram a uma relação dos 20 filmes brasileiros mais importantes — na verdade 21, pois houve empate no 20º lugar.


Mais do que uma lista de favoritos, o resultado da eleição revela um pouco mais sobre o perfil desses novos críticos, seus gostos, suas visões de cinema e suas divergências entre si, como aponta Cléber Eduardo no ótimo ensaio que acompanha as obras escolhidas.

Além disso, a seleção da Paisà altera as bases, para usar a expressão de Cléber Eduardo, do “star system estético”. Na comparação com duas eleições anteriores desse tipo — a da Folha de S.Paulo (1999) e a da Contracampo (2002) —, há uma sensível alteração nas cinco primeiras posições: Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe continuam lá, mas Vidas Secas e O Bandido da Luz Vermelha dão lugar a São Paulo S.A., de Luís Sérgio Person, e a Bang Bang, de Andrea Tonacci.

O quadro de votações por diretor confirma o equilíbrio na seleção entre cinemanovistas e marginais. Os quatro primeiros colocados foram, nesta ordem, Rogério Sganzerla, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Andrea Tonacci. A seguir, os dez primeiros filmes na seleção da Paisà. Estes e os outros 11 estão no site da revista, onde cada título recebe um comentário explicativo, o que dá à iniciativa uma dimensão didática. A relação se torna uma porta de entrada para quem quer conhecer um pouco mais do que há de melhor no cinema brasileiro.

1 – Limite, de Mário Peixoto (1931)2 – Terra em Transe, de Glauber Rocha (1967)3 – Bang Bang, de Andrea Tonacci (1970)4 – Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha (1964)5 – São Paulo S.A., de Luis Sérgio Person (1965)6 – O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (1968)7 – A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla (1969)8 – Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho (1984)9 – Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos (1963)10 – A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos (1965)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Joana d'Arc

RESUMO

O filme retrata a figura de Joana Dâ?TArc, através de uma aventura estilizada e uma versão mais humanizada do mito que se tornou a jovem de origem camponesa que conseguiu exaltar o nacionalismo francês, na luta contra os ingleses durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453).Nesta megaprodução de US$55milhões, Joana é retratada desde sua infância, quando já apresentava um comportamento estranho, tendo visões e ouvindo vozes, além de frequentar regularmente o confessionário.Depois do assassinato de sua irmã por um guerreiro inglês, a virgem transforma-se numa religiosa sanguinária e mística, conseguindo com seu fervor nacionalista, um exército do rei que liberta Orléans dos ingleses. Nas batalhas Joana deposita sua fé apenas em Deus e em seu nome promove matanças, derramando-se em lágrimas diante dos cadáveres. O filme chega a sugerir que sua fixação bélica seria produto da sexualidade reprimida na infância e nesse sentido suas tensões passam a ser direcionadas para a guerra e para religião. Traída e aprisionada em sua própria terra, Joana é vendida aos ingleses e acusada de heresia e bruxaria é condenada pela Igreja e queimada viva em Ruão no ano de 1431.Ao transformar-se num mito a figura de Joana Dâ?TArc, como tantas outras, são manipuladas para atender os mais variados interesses no decorrer da história. Joana Dâ?TArc, a mais popular figura histórica da França, virou sinônimo de patriotismo durante a Revolução Francesa (1789), foi canonizada pelo Vaticano em 1920 e hoje é venerada por políticos como Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional (partido nacionalista francês de extrema direita).

CONTEXTO HISTÓRICO

Joana Dâ?TArc surge na história da França durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453)entre franceses e ingleses. Encontramos dois motivos fundamentais para a guerra. O primeiro foi a intenção do rei da Inglaterra, Eduardo III em ocupar o trono francês. O segundo, foi de ordem econômica, caracterizando a disputa franco-britânica pela região de Flandres, rica na produção de tecidos.Em 1429, ocorre uma importante mudança nos rumos da guerra em favor dos franceses. Trata-se da libertação da praça forte de Orleans, dominada pelos ingleses, por Joana Dâ?TArc, até então vista apenas como uma camponesa mística. Sua liderança e carisma se aliaram e comandando um pequeno exército, Joana levou os franceses à vitória e contribuiu para exaltar o sentimento nacionalista, vital para posterior formação do Estado Moderno francês. Com a intenção de abafar o nacionalismo francês, Joana Dâ?TArc aprisionada, foi acusada pelos ingleses de heresia e bruxaria, para depois ser condenada por um tribunal da Igreja e queimada viva em Ruão em 1431.Após alguns anos, os franceses consolidaram importantes ofensivas, derrotando os ingleses em Formigny e Castillon (1453), quando foi conquistada a cidade de Bordeaux, finalizando a guerra.No contexto europeu, a Guerra dos Cem Anos não foi um fato isolado. O século XIV assinala a crise mais intensa do feudalismo, em transição para o capitalismo, sendo marcado pela trilogia "guerra, peste e fome". A guerra portanto, convive com a peste negra, que trazida do Oriente por mercadores italianos, desde a reabertura do Mediterrâneo pelas cruzadas, provocou em poucos anos a morte de 1/3 da população europeia. A fome foi uma consequência direta da devastação dos campos pela guerra e pela peste, afetando não só o feudalismo decadente, como também o capitalismo nascente, na medida em que limitava o consumo, para nova economia de mercado.

TÍTULO DO FILME:
JOANA Dâ?TARC (Joan of Arc, França, 1999)DIREÇÃO: Luc Besson
ELENCO: Milla Jovovich, John Malkovich, Faye Dunaway, Dustin Hoffman; 124 min.

Amistad


TEMÁTICAEm 1839 dezenas de africanos a bordo do navio negreiro espanhol La Amistad matam a maior parte da tripulação e obrigam os sobreviventes a leva-los de volta à África.Enganados, desembarcam na costa leste dos Estados Unidos, onde, acusados de assassínios, são presos, iniciando um longo e polêmico processo, num período onde as divergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravista, caracterizavam o prenúncio da Guerra de Secessão.
CONTEXTO HISTÓRICOO filme mostra o processo de julgamento de negros nos Estados Unidos, 22 anos antes do início da Guerra Civil, num contexto marcado pelo expansionismo em direção ao Oeste e pelo acirramento das divergências do norte protecionista, industrial e abolicionista, com o sul livre-cambista, agro-exportador e escravista.Na passagem do século XVIII para o XIX, os Estados Unidos recém-independentes formavam uma pequena nação, que se estendia entre a costa do Atlântico e o Mississipi. Após a independência, o expansionismo para o Oeste foi justificado pelo princípio do "Destino Manifesto", que defendia serem os colonos norte-americanos predestinados por Deus a conquistar os territórios situados entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A crescente densidade demográfica, a construção de uma vasta rede ferroviária iniciada em 1829 e a descoberta de ouro na Califórnia em 1848, também representaram um estímulo para conquista do Oeste.A ação diplomática dos Estados Unidos foi marcada por um grande êxito nas primeiras décadas do século XIX, quando através de negociações bem sucedidas os Estados Unidos adquirem os territórios da Lousiana (França), Flórida (Espanha), além do Oregon (Inglaterra) e até o Alasca da Rússia, após a Guerra de Secessão.Em 1845, colonos norte-americanos proclamaram a independência do Texas em relação ao México, iniciando-se a Guerra do México (1845-48), na qual a ex-colônia espanhola perdia definitivamente o Texas, além dos territórios do Novo México, Califórnia, Utah, Arizona, Nevada e parte do Colorado. Destaca-se ainda a incorporação de terras indígenas, através de um verdadeiro genocídio físico e cultural dos nativos.O intenso crescimento do país, acompanhado de uma grande corrente de imigrantes europeus atraídos pela facilidade de adquirir terras, torna ainda mais flagrante, o antagonismo entre o norte e o sul. No norte, o capital acumulado durante o período colonial, criou condições favoráveis para o desenvolvimento industrial cuja mão-de-obra e mercado encontravam-se no trabalho assalariado. A abundância de energia hidráulica, as riquezas minerais e a facilidade dos transportes contribuíram muito para o progresso da região, que defendia uma política econômica protecionista. Já o sul, de clima seco e quente permaneceu estagnado com uma economia agro-exportadora de algodão e tabaco baseada no latifúndio escravista. Industrialmente dependente, o sul era ferrenho defensor do livre-cambismo, mais um contraponto com o norte protecionista.Essas divergências tornam-se praticamente irreconciliáveis com a eleição do abolicionista moderado Abraham Lincoln em 1860, resultando no separatismo sulista, iniciando-se assim em 1861 a maior guerra civil do século XIX, a Guerra de Secessão, também conhecida como "Guerra Civil dos Estados Unidos", que se estendeu até 1865 deixando um saldo de 600 mil mortos.
TÍTULO DO FILME: AMISTAD (Amistad, EUA, 1997)DIREÇÃO: STEVEN SPIELBERGELENCO: Morgan Freeman, Anthony Hopkins, Matthew McConaughey, Nigel Hawthorne, Djmon Housou, David Paymer, Anna Paquin; 162 min.

SUNSHINE - O despertar de um século

TEMÁTICA
No filme, o ator Ralph Fiennes vive uma verdadeira metamorfose (pai, filho e neto), interpretando três gerações da família Sonneschein, um clã judeu que vai perdendo sua identidade para sobreviver em meio ao anti-semitismo, guerras e perseguições políticas.No início do século XX, o esforçado advogado Ignatz, um jovem tímido e apaixonado pela prima-irmã adotiva Valerie, é convidado para o cargo de juiz e aconselhado a trocar seu sobrenome judeu. Para não abrir mão da convivência com o imperador da Áustria-Hungria, Ignatz assina sentenças que legitimam o arbítrio do governo.Com o assassinato do arqueduque Francisco Ferdinando (herdeiro do trono austro-húngaro) por um grupo nacionalista sérvio, inicia-se a Primeira Guerra Mundial e Ignatz arrasa seu casamento e se afasta dos filhos para participar do conflito.Seu filho Adam, um talentoso esgrimista, também sofre o mesmo preconceito, sendo obrigado a se converter ao catolicismo para poder participar das Olimpíadas de Berlim, com a cidade já tomada pelos nazistas. Com o crescimento do anti-semitismo, grande parte da família é perseguida e Adam é executado num campo de concentração na frente de seu filho, Ivan. Este, promete vingar o pai, tornando-se um perseguidor de nazistas para o governo comunista instalado no final da Segunda Guerra Mundial.

CONTEXTO HISTÓRICO
O filme de István Szabó é uma bela aula, onde em quase três horas a história da Hungria e alguns dos momentos mais dramáticos do século XX, registram a decadência do Império Austro-Húngaro, a Primeira Guerra Mundial, a ascensão do nazismo, os campos de concentração, a derrota da Alemanha, a ascensão do comunismo no leste europeu, a ditadura dos governos stalinistas e, por fim, a queda dos mesmos na última década do século XX.A derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18) e a humilhação a que fora submetida pelo Tratado de Versalhes, deixaram o país à beira da anarquia e da guerra civil. A República proclamada na cidade de Weimar foi dominada por setores moderados que não conseguiram combater a miséria e nem controlar os movimentos políticos de esquerda. Sob pressão dos militares e de grupos nacionalistas totalitários, como os nazistas, a República de Weimar vivia ameaçada. A situação do país agravou-se com a crise mundial de 1929 atingiu a economia que se recuperava desde 1923, radicalizando as oposições. A articulação entre monarquistas conservadores, setores militares e empresariado, facilitou a ascensão de Hitler ao cargo de chanceler em 30 de abril de 1933.Alguns meses depois, Hitler estabeleceu um Estado totalitário, com um poderoso e disciplinado aparato paramilitar, destacando-se agrupamentos como as SA (sessões de assalto), e as SS (sessões de segurança), além da Gestapo, a temida polícia política do nazismo.Caracterizado pelo monopartidarismo, anti-comunismo, anti-liberalismo e um nacionalismo histérico, o nazismo alemão também apresentou um forte componente racista anti-semita, que defendia o "direito" das raças superiores dominarem as raças inferiores. Identificado com o movimento comunista internacional ou com o liberalismo responsável pela grande depressão de 1929, o judeu passou a ser considerado o grande mal que assolava a Alemanha.Cruelmente perseguidos e excluídos de várias atividades públicas, à partir de 1935 com as leis de Nuremberg, os judeus passavam à condição de cidadãos de segunda categoria, perdendo direitos civis como o direito de casarem-se com "arianos puros". Em 1938 as ações anti-semitas cresciam vertiginosamente. Espancamentos, humilhação de crianças em salas-de-aula, destruição de sinagogas e casas, e até a utilização de sinais identificadores, já faziam parte do cotidiano da Alemanha de Hitler. Em escala mais reduzida o racismo germânico, também estendeu seus crimes sobre outros povos como eslavos e ciganos, além da perseguição sobre homossexuais e deficientes físicos.A propaganda nazista controlada por Goebbels, supervisionava a literatura, o cinema e sobretudo o rádio e a imprensa, sendo que o pior aconteceria somente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando tem início a "solução final", que executou cerca de 6 milhões de judeus espalhados pelos vários campos de extermínio nos países europeus dominados pelo III Reich.

OLGA

















O filme de Jaime Monjardim, baseado na obra do escritor Fernando Moraes, estréia nos cinemas do país em 20 de agosto. Em São Paulo foi realizada uma pré-estréia para professores, onde foi distribuído o folheto "Olga - o filme como recurso didático", que reproduzimos a seguir. No mundo de hoje, a comunicação audiovisual ocupa grande parte da vida das pessoas. As relações estão cada vez mais rápidas e a transmissão de informações acompanha esse ritmo. Por isso, é importante utilizar formas de comunicação atuais e dinâmicas. Atualmente, uma boa maneira de chamar a atenção e despertar o interesse dos jovens é utilizar a linguagem audiovisual. O cinema, por exemplo, é um meio envolvente que pode tornar o aprendizado mais divertido e o ensino mais eficiente. A partir de um filme, é possível levantar diversos questionamentos. Baseado no romance best seller homônimo, Olga é um filme que mostra a vida da militante comunista Olga Benário Prestes - da infância burguesa na Alemanha à morte numa das câmaras de gás de Hitler, passando por seu treinamento militar na União Soviética, seu período no Brasil ao lado do marido Luís Carlos Prestes e o nascimento de sua filha, Anita Leocádia, em uma prisão da Gestapo e aborda questões históricas e sociais. O filem pode promover debates, não somente sobre história, como também sobre literatura, obras biográficas e adaptações literárias tanto para o cinema quanto para o teatro. O filme retrata importantes momentos da história do Brasil e do mundo a partir do ponto de vista da vida pessoal da militante comunista Olga Benário. O filme pode ser usado para estimular os alunos a estudarem o contexto histórico desde a Primeira Guerra Mundial até o início da Guerra Fria, além de provocar uma reflexão sobre ética e intolerância, tema em questão até os dias de hoje.

Um pouco de História Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha perdeu parte de seus territórios para a França, Polônia, Dinamarca e Bélgica. Os alemães também foram obrigados, pelo Tratado de Versalhes, a pagar indenizações às nações vencedoras. O país afundou em dívidas, o que gerou desemprego em massa. As tentativas frustradas de uma revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de gabinetes de orientação social-democrata criaram condições favoráveis ao surgimento e expansão do nazismo no país. Em 1933, quando os nazistas subiram ao poder, pelo voto popular, Hitler pôs suas idéias em prática e suspendeu os direitos civis, dissolveu os partidos políticos, proibiu greves e fechou sindicatos. Com plenos poderes, o Führer decidiu erradicar todos que não considerava alemães puros e, assim, eliminar todos os traços de judaísmo na Alemanha. Também foram perseguidos comunistas, homossexuais e outras minorias. Em 1939, mais de 300 mil judeus já tinham sido expulsos da Alemanha. Depois da conquista da Polônia, ainda nesse mesmo ano, os judeus foram tirados de seus guetos e levados para campos de concentração. Os prisioneiros fisicamente aptos, eram selecionados para trabalhar até a morte em fábricas. Desde o começo da Guerra, os nazistas fizeram experi~encias com os presos, judeus em sua maioria, mas a morte em massa ocorreu através das câmaras de gás. Cerca de seis milhões de judeus forma exterminados durante o Holocausto.
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