quinta-feira, 9 de outubro de 2008

"Bullying" virtual ou "ciberbullying"


O que as escolas fazem ou deixam de fazer quando Orkut e blogs viram armas para agredir colegas de classe e professores

O "Bullying" virtual ou "ciberbullying", é fenômeno que transfere para a internet as agressões típicas que estudantes mais frágeis ou mais visados sofrem dentro dos muros da escola. Enquanto o clássico "bullying" acontece na sala de aula, no playground e nos arredores do colégio, a versão no ciberespaço transcende os limites da instituição de ensino.

Hostilidades sempre existiram no ambiente escolar, mas elas se potencializam na rede mundial de computadores, diante da facilidade atual de criar páginas e comunidades na internet. Para humilhar colegas de escola, os meios utilizados vão desde e-mails e mensagens de celular injuriosas, passando por fotografias digitais e montagens degradantes, a blogs com mensagens ofensivas. Os ataques também tomam forma em vídeos humilhantes e ofensas em salas de bate-papo.

"No mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na internet, ela não acaba, fica aquele fantasma", compara Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil, ONG cujo foco é desenvolver trabalhos contra a pornografia infantil na web.

O resultado preliminar de uma enquete sobre segurança na internet realizada no site da ONG (www.safernet.org.br) assusta: 46% de 510 crianças e adolescentes que responderam ao questionário a?rmam que foram vítimas de agressões pela internet ao menos uma vez; 34,8% dizem que foram agredidos mais de duas vezes. "Não é apenas uma brincadeirinha. As conseqüências são graves e prejudicam demais as vítimas", ressalta Rodrigo. Dos participantes do levantamento, 31% são de São Paulo, Estado onde, segundo a SaferNet, há o maior número de relatos de "ciberbullying".

Impunidade
A sensação de que não vai ser descoberto e de impunidade leva adolescentes a criarem páginas e a dispararem contra os colegas sem medo. "O jovem não pára para pensar que a internet está no mundo. A conseqüência dos crimes contra a honra, de calúnia e injúria na internet é desproporcional ao dano", afirma Patricia Peck Pinheiro, 33, advogada especializada em direito digital. "Há, inclusive, aumento de pena, pois a pessoa foi exposta no mundo."


Fonte: Revista da Folha
Public Conversation: Cyber-Bullying

4 comentários:

Ropiva disse...

Essa prática que se adequou aos tempos modernos deixa uma cicatriz eterna em suas vítimas. Espero que medidas concretas sejam tomadas.
Beijos

Mauricio disse...

De fato, é uma prática covarde e muito pior do que a agressão presencial. Covarde porque muitas vezes p agressor se esconde atrás de "nicks" ou perfis falsos. E de consequências estratosféricas porque o alcance das perturbações virtuais é muitíssimo mais extenso - e na grande parte das vezes incomensurável - se comparado com o "bullying" clássico.
Penso que hoje, com a conscientização do Poder Judiciário e do Ministério Público, acerca da existência e do poder destrutivo dos crimes contra a honra efetivados pela via virtual, a questão ficará um pouco melhor regrada, até mesmo porque, com o aumento das demandas em razão desse tipo de crime os provedores, sítios de internet, páginas de relacionamento, redes de amizades, etc., têm permitido (ou às vezes, sido compelidos...) à abertura de seus arquivos para indicação dos autores das práticas lesivas.
Desta forma, embora ainda haja "muito chão" para coibir-se o "cyber-bullying", hoje a situação encontra-se um pouco melhor disciplinada do que num passado mais recente, eis que a impunidade deixou de ser a tônica da questão, dando margem, em vários casos, à penalização dos culpados.
Para tanto, denunciar é necessário. A vítima não deve deixar passar "em branco" a agressão. Revidar é fazer o jogo do agressor, mas deve procurar os serviços de atendimento ao consumidor do sítio onde a injúria, difamação ou calúnia é perpetrada ou, caso entenda necessário, acionar a delegacia de repressão aos crimes virtuais. E, dependendo do grau da agressão, até mesmo pleitear indenização por danos, materiais e especialmente morais.
Penso que, com essas medidas a questão será em definitivo resolvida.
Um beijo!!!

Cláudia Matta disse...

Caros amigos, estou pesquisando sobre essa fenômeno.
Tenho uma comunidade sobre esse assunto no orkut.
Concordo com o Maurício: a vítma não deve sofrer passivamente, é preciso denunciar!
A vítima também não deve agredir seu agressor, pois isso gera ainda mais violência.
Precisamos educar nossas crianças e adolescentes para uma cultura de paz.
Pena que os pais estejam muito ausentes na vida dos filhos ... e o computador vem se tornando a babá eletrônica, junto à televisão.
Um abraço a vocês

Sandra Cantii disse...

Muito bom Claudia!
Eu como professora convivo com esta situação e sempre estou batendo nesta tecla com os alunos e com os pais tb.
Obrigada pelo comentario
Abraços