domingo, 26 de julho de 2009

Bom senso comum

O senso comum é completamente diferente do bom senso. É uma das vantagens da nossa língua (em inglês, as duas coisas são o "common sense"). Eles não têm um termo apropriado para diferenciá-las. Tenho dito que o senso comum é a religião mais praticada no mundo. E explico: ele depende de fé e não de explicação. Quando alguém diz "mãe é mãe" faz uso do senso comum. Supõe que você tenha fé na afirmação e a obedeça, amando e acatando sua mãe, não importa que tipo de pessoa ela seja.

O bom senso é o sentido de lógica com que nascemos. Meu filho -que foi criado sem religiões- deu um ótimo exemplo de bom senso quando ouviu pela primeira vez os dez mandamentos. Perguntou por que não havia um mandamento sobre honrar filhos e filhas.

O senso comum acata; o bom senso estranha e pergunta. O senso comum não explicita, alude ("você tem que ir porque é meu namorado"); o bom senso quer saber o que é um namorado, e por que ele tem que ir, já que está achando um programa de índio. O senso comum diz: "É porque todo mundo faz assim". Resposta muito usada no episódio das passagens aéreas do Congresso. Já o bom senso questiona se é ético ou não. Precisamos muito do bom senso.


Francisco Daudt é psicanalista
Fonte:REvista da folha

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